A crise dos semicondutores: a escassez desse componente primordial deve se estender em 2022.


Ao ler o título desse artigo, talvez ocorra um certo questionamento sobre a importância dos semicondutores e como a escassez do mesmo pode impactar nosso cotidiano. É muito simples respondermos isso.

Visto que, é muito provável que você em nenhum momento tenha parado refletir sobre essa temática, no entanto, vale pontuarmos que os semicondutores estão presentes em nosso dia-a-dia, desde os mais simples aparelhos eletrônicos, tal como, um relógio de pulso, nosso smartphone até os chips eletrônicos que fazem um carro moderno funcionar.

Há muitos segmentos dependente da indústria dos semicondutores, e sem os pequenos chips o impacto na produção de diferentes produtos pode ser enorme, tal como aconteceu em decorrência ao agravamento da pandemia de covid-19.

No primeiro trimestre de 2021, montadoras de automóveis, como, exemplo, GM, Honda, Volkswagen e Volvo, precisaram suspender suas produções em suas fábricas espalhadas ao redor do mundo por falta de componentes, sendo o principal deles, os semicondutores.

Entretanto, a paralisação nas linhas de produção não afetou apenas o setor automobilístico, o problema afetou setores de telefonia e eletrônicos, forçando empresas como Sony e Samsung paralisarem suas produções também.

Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), em junho deste ano, cerca de 12% dos fabricantes do setor elétrico no Brasil precisaram interromper parcialmente a produção por falta de semicondutores.

No artigo de hoje, vamos abordar sobre a crise dos semicondutores. Boa leitura!

Mas afinal, o que são semicondutores?

Os semicondutores são muito utilizados em equipamentos eletrônicos, isso porque, eles pertencem a uma classe de materiais sólidos que conseguem conduzir correntes elétricas, ou seja, eles conseguem mudar sua condição de isolamento de correntes elétricas para condutores de correntes elétricas com muita facilidade.

Os semicondutores são constituídos de silício ou germânio, elementos que conferem ao semicondutor a condutividade elétrica intermediaria. Por conta dessas propriedades, os semicondutores são utilizados como matéria-prima para produção de chips eletrônicos, utilizados nos mais diversos aparelhos eletrônicos, como, por exemplo: smartphones, computadores, videogames.

Entretanto, com as novas tecnologias aplicadas ao setor automobilístico, os semicondutores vêm sendo utilizados também em automóveis. Sendo assim, podemos dizer que os semicondutores se tornaram um dos elementos mais importantes e utilizados para produção de aparelhos eletrônicos modernos.

O que ocasionou a crise dos semicondutores?

A crise dos semicondutores não é tão recente como imaginamos, ela deu origem através de fatores geopolíticas entre às duas superpotências China e os Estados Unidos. Entretanto, foi no início da pandemia de covid-19 que a escassez dos semicondutores se agravou.

Como medida preventiva para frear a disseminação da covid-19, muitas fábricas precisaram reduzir sua produção ou até mesmo interrompe-las totalmente, incluindo as montadoras do setor automobilístico, de modo a suspenderem consecutivamente as encomendas dos semicondutores utilizados em seus dispositivos eletrônicos e/ou automóveis.

Sendo assim, fábricas responsáveis pela produção de semicondutores desaceleraram suas produções. Contudo, com o aumento das atividades em regime home office, houve um grande aumento na venda de aparelhos eletrônicos, como, por exemplo, computadores, smartphones, tablets e televisores. Levando a indústria dos semicondutores priorizar o setor de aparelhos eletrônicos, mesmo com certa escassez as fábricas de aparelhos eletrônicos foram realocadas em primeiro lugar na demanda desse pequeno componente.

Gradualmente os demais setores da indústria foram retomando suas atividades, principalmente as montadoras do setor automobilístico, havendo um aumento significativo na busca por semicondutores. Entretanto, os mesmos já se encontravam com alta demanda, realocando montadoras de automóveis no final da fila. Um dos fatores da escassez dos semicondutores, é que a indústria responsável pela produção dos chips não se planeja em semanas, mas sim em anos.

Além disso, há outros fatores externos que colaboraram para o agravamento da crise dos semicondutores, como, por exemplo, fatores geopolíticos, onde os Estados Unidos incluíram a maior fabricante de chips semicondutores da China, a Semiconductor Manufacturing International (SMIC), em uma lista que restringe o acesso a empresas de tecnologia de ponta desenvolvidas nos EUA, ou seja, com essa restrição, a SMIC não produz os chips semicondutores em sua capacidade total de produção.

Se não bastasse a pandemia de covid-19, fatores geopolíticos entre a China e os EUA, em outubro de 2020 houve um incêndio na em uma fábrica de semicondutores, o incêndio ocorreu na Asahi Kasei Microsystems (AKM) e em março de 2021 outro incêndio atingiu parte da planta da Renesas Eletronics, o que agravou na crise dos semicondutores, resultando diretamente na baixa produção dos mesmos.

Consequências da escassez dos semicondutores

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (ABISEMI), houve um enorme aumento na demanda por produtos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) com a pandemia, aumento esse, que surpreendeu o setor de semicondutores que havia reduzido sua produção em virtude da paralisação de outras cadeias produtivas.

Como resultado disso, a linha de produção de empresas de pequeno porte sofreu ainda mais com a falta dos semicondutores, aponta pesquisa. Ainda em 2020, uma pesquisa apontou que 70% das empresas nesse segmento foi afetada pela falta dos chips eletrônicos.

Para tentar frear os impactos causados pela crise dos semicondutores, empresas têm realizados investimentos de modo a adaptar suas linhas de produção, entretanto, esse processo é demorado e pode demandar um alto custo.

Ao final de 2020, as expectativas iniciais eram de indícios de normalização para o setor ainda em 2021. Contudo, a capacidade de produção prevista para este mesmo ano, não cobre a demanda pelos setores que recorrem aos semicondutores. Estimasse que não haja perspectivas de muitas melhorias para os setores que dependem dos semicondutores antes do segundo semestre de 2022.

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